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Blended-Learning

Ensino híbrido uma realidade que se apresenta?

Introdução

 

No Brasil o papel do professor na educação sempre esteve centrado como sendo o que possui o mister do conhecimento e consequentemente aquele que direciona todo o saber. Adicionado a esse conceito há também que as condições de trabalho para esse profissional não é a das melhores.

Essa dualidade de conceitos formam uma narrativa de que a educação é tradicional e portanto esse tradicionalismo é em grande monta responsável pelos fracassos ou mesmo baixa habilidade e competência dos alunos.

Há novos ventos no devir deste cenário, com o advento das tecnologias da informação e do conhecimento metodologias mais atuais se apresentam.

De acordo com Abreu & Machado (2018):  

Novas metodologias de ensino chegam à linha de ponta a todo tempo, trazendo inovações para alicerçar o processo de conhecer e aprender. A figura central do professor nesse processo sempre será objeto de estudos. O docente não mais detém a fonte do saber, mas, sim, se constitui como um sujeito capaz de contribuir para as interfaces entre o aluno, conhecimento, metodologias de ensino, pedagogias significativas e inovadoras, envolvendo naturezas complexas sempre no sentido de gerir novas e melhores formas para ensinar e aprender. (Abreu & Machado.2018 p.2)

Dentro deste universo de descobertas e avanços tecnológicos da comunicação e da informação vem se destacando o ensino hibrido conhecido como Blended learning. Novas abordagens pedagógicas que se utilizam dessas novas tecnologias rompem com o passado e se direcionam para o futuro e nesse novo direcionamento os papéis, as ações e os resultados vem se mostrando em processo de alteração e já apontam para novos cenários e até diretrizes.

Mesclar conteúdo, tecnologias e misturar tudo isso em metodologias é uma característica da própria educação.

Em outros países como os Estados Unidos essa mesclagem que não é novidade já se arrima como estrutura participante nas escolas em quase todos os níveis, mas com muita preponderância no ensino superior.

 

Desenvolvimento

De acordo com Pierre Lévy tudo agora se mistura o virtual e o presencial. Nessa perspectiva que se apresenta o Blended Learning, ou como é conhecido o modelo hibrido de educação que combina um conjuntos de atividades educacionais à distancia (Seja síncrono ou assíncrono) via de regra realizado por intermédio das tecnologias de informação e comunicação (TDIC).

Importante ressaltar que toda essa mescla não se antagoniza com os objetivos centrais da educação que é educar dentro dos parâmetros e das demandas curriculares da sociedade na qual os ambientes escolares estão inseridos.

A educação hibrida já acontece nos níveis do ensino médio, profissionalizante e com mais efervescência no ensino superior.

Sendo o ensino superior um ambiente mais aberto e sensível para o uso de novas tecnologias dentro de suas estruturas capilares que atravessam e permeiam os processos de ensino.

Existe nesse cenário educacional uma prática de mesclar e utilizar tudo que esteja ao alcance para melhorar quantitativamente e qualitativamente a educação.

E nos ajuda Santos (2002) em sua definição sobre isso: “um ambiente virtual é um espaço fecundado de significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando, assim, a construção de conhecimentos, logo, a aprendizagem”.

E na mesma direção e sentido Lévy (1993) nos oferece a seguinte afirmação:

[…] as novas tecnologias, utilizadas como ferramentas pedagógicas nas escolas, redefinem a função docente, pois, agregam às práticas de ensino e aprendizagem, novos modos de acesso aos conhecimentos. (Lévy 12993. p.27)

Com efeito, o ensino hibrido traz em essência um conjunto de mudanças e coloca em destaque o uso do ensino a distância como cerne do desenvolvimento educacional. No tocante ao EAD essas mudanças exigem uma maior organização, disciplina, autonomia, disposição e até um aumento no comprometimento em relação aos compromissos ao longo da trajetória educacional.

A colaboração é um dos fatores mais presentes no ensino hibrido. Os alunos nessa metodologia pedagógica estão sempre sendo estimulados por ações efetivas de colaboração. Em sintonia os professores também são inseridos dentro deste contexto, uma vez que podem utilizar-se de da sala de aula invertida por exemplo, e nesse sentido há uma mudança nos papeis que serão desenvolvidos, sem perder a essência e as propriedades de atuação. Simultaneamente a gestão também é convidada a participar dessa colaboração, uma vez que terá um papel fundamental para apoiar as ações que serão desenvolvidas pelas pessoas responsáveis pela parte pedagógica destes processos. Tanto quanto possível também terá que envolver e dialogar com a comunidade para que possa dar e receber feedbak’s sobre tudo que acontece nesse cenário.

Outro fator em destaque estão os processos de avaliação que agora podem ser aplicados por computador e até mesmo em ambientes web. Sendo essas avaliações suportadas por tecnologias computacionais e até mesmo web traz intrinsecamente tudo que essas novas tecnologias disponibilizam para as tratativas acadêmicas, pedagógicas e tecnológicas, estabelece assim um novo paradigma e também novos desafios para todos os envolvidos (pais/responsáveis, alunos, professores, gestores e comunidade em geral).

Conclusão

As tecnologias estão disponíveis agora para o ambiente escolar. Mudanças são sentidas e também são necessárias. Ensinar para um futuro que exige uma rápida adaptação para solucionar problemas que surgem a todo momento é a veracidade do nosso tempo.

O que se apresenta nesses tempos é o ensino hibrido com tudo que pode oferecer para melhorar na escola.

Muitos pontos o ensino hibrido pode trazer para esse universo, tais como redução de custos, prazos e conteúdos mais flexíveis, promoção da colaboração entre os alunos e também entre os professores, promoção da independência e da autonomia nas respectivas trajetórias educacionais, valorização dos professores e fomento em suas carreiras com planos de formação continuada, mesclar o que se apresenta no ensino tradicional e o que há de novo nas tecnologias da informação e da comunicação. Adoção de novas estratégias como a sala invertida e também uma participação mais efetiva e eficaz da gestão escolar que arrima as ações ao mesmo tempo em que estabelece escuta e dialogo com toda a comunidade escolar.

Portanto pode-se concluir que embora não seja algo novo o ensino hibrido se mostra uma excelente alternativa para que a escola e em especial o ensino superior se aproprie dessa metodologia que contribui de forma eficiente e eficaz para a melhora quantitativa e qualitativa do ensino.

Referências

ABREU.Z.H.L.MACHADO.A.F.(2018). A Educação Hibrida no Ensino Superior: Uma abordagem ao modelo de Ensino Estácio-Brasil. Estação Científica, 1-13
 
LEVY, P.(1993) As tecnologias da inteligência : o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro.
SANTOS, E. O. (2002). Ambientes Virtuais de Aprendizagem: por autorias livres, plurais e gratuitas. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v.11, n.18, p.417-424.
 

Maria Inês Vasconcelos

06 de Junho de 2020

RECENTE decisão do Supremo Tribunal Federal  que vetou a decisão sobre a prisão em segunda instância  aprofundou a discussão acerca do sistema de justiça no Brasil.

A  cobertura midiática divulgou conflitos de toda natureza , inclusive, institucionais entre o poder judicial e o poder legislativo, num momento que é  de turbulência. A tensão entre os poderes é enorme e estão todos pisando em ovos, eis que em tese devem ser , juntos, executivo, legislativo e judiciário ; independentes e harmonizados entre si.

Estamos  presenciando um momento de enorme visibilidade da justiça, em que a agitação e a divulgação de dados empíricos tem  disparado questionamentos pela sociedade,  acerca da efetividade  justiça, dos excessos de oportunidades recursais e sobre decisões  que sobre o manto do excesso de garantismo processual permitem em seus sótãos a possibilidade de manipulação do sistema judicial.

De fato, o tempo de Justiça é um aspecto extremamente importante dentro de uma sociedade democrática.

Sabemos que o que pode acontecer dentro de  um processo judicial é um leque de imprevisibilidade. Uma aleatoriedade sem fim, de fatos que podem levar à demora e lentidão da solução judicial. Mas o que a sociedade questiona é se a sanha recursal pode servir como estratégia para tornar a justiça uma ferramenta de defesa de interesses pessoais, abrindo fendas para privilégios.  A mídia divulgou que é possível a interposição de cem recursos num mesmo processo e que a prescrição fulmina a pena , favorecendo a impunidade. 

Debate-se, portanto, se   a  Justiça brasileira , de forma geral,  tem  viabilizado a atuação estratégica no campo penal, favorecendo ainda que indiretamente a corrupção, pois os atrasos dma justiça, pode sim, se tornar um meio de manipulação do sistema judicial.

Numa sociedade democrática espera-se que a Justiça crie condições efetivas para solução dos processos. Que não garanta o acesso ao judiciário, mas que também preste a tutela jurisdicional num prazo razoável, malgrado todas as dificuldades que sabemos existir, como por exemplo os problemas administrativos, orçamentário e tudo mais que interferem nos Tribunais, dificultando a resposta judicial rápida, sendo importante lembrar que o maior atraso no processo ocorre sempre na primeira instância, eis que só para cumprir uma carta precatória pode-se levar dois anos.

Esse problema aliás, não é só do Brasil, os Tribunais da Europa, como Portugal, Itália e Espanha, que passam também pelas mesmas dificuldades e estão todos buscando e customizando suas próprias soluções.

Um outro aspecto é a questão penal, eis que pobres, negros vão muito mais para  a cadeia do que brancos e ricos que tem mais condição de contratar excelentes advogados.  Além do mais, só rico comete crime de colarinho branco e estes ocupam melhores lugares nos presídios, se safando em razão de grau de escolaridade e até de  mandado eletivo. Há verdadeiros hotéis para esse tipo de presos em comparação com a sarjeta da grande massa carcerária.

Se realmente desejamos que o sistema judicial adense seu papel na construção da justiça, democracia e cidadania, precisamos realmente refletir sobre a celeridade da justiça e do combate à corrupção e a criminalidade, aqui no Brasil. Achar nosso ponto de equilíbrio, sem confundir as idéias, eis que os atrasos da Justiça não podem justificar ataques à Constituição .

A consagração da autonomia e independência do poder judiciário é pilar do regime democrático . Não há que sequer pensar em redução desta autonomia, e assim, a decisão do Supremo é soberana, sobre qualquer aspecto, ainda que não agrade a muitos brasileiros. Não  há qualquer espaço para outro tipo de conclusão , eis que a Constituição Brasileira determina a independência dos poderes. Aliás, toda nação deveria sonhar com judiciário forte e independente, pois essa é a maior garantia da nossa liberdade. Mas temos que pensar soluções, como por exemplo a redução do prazo prescricional para os prazos de colarinho branco e até mesmo a imprecretibilidade.

É possível sim, que se adotem soluções para o dilema que se estabeleceu. Recentrar o estudo das  medidas que poderiam propiciar freios ao excesso recursal e demandismo exacerbado, como medida de promoção de ética e democracia, é urgente. O corte de privilégios e o enfrentamento da questão da prescrição da pena é assunto para ontem.

No momento, é claro, estamos vivendo enorme stress stress institucional, que serve de palco a uma imagem completamente deturpada da justiça do Brasil que é eficiente  mas que tem dificuldade em revelar esta realidade para a sociedade, pois o impacto social e econômico da justiça tardia, veio a tona com grande força, suscitando a necessidade de que o judiciário reconsolide a sua imagem de poder  estruturado para a defesa do Estado de Direito e da tutela dos direitos fundamentais.

Os Tribunais Superiores , sabemos , não examina prova e apenas uniformiza decisões, verificando se a decisão está em harmonia com a Constituição. Lá não se decide o processo, sendo que 95% das decisões são mantidas.  A saída de Lula da cadeia acendeu o debate.  A liberação de uma gentalha  que cometeu colarinho branco, idem.  Não é mesmo razoável que após milhões consumidos na Lava à Jato para  colocar todos atrás da grade, o sistema judicial sofra uma curva e tudo termine em pizza. A Justiça não foi feita para isso, antes pelo contrário. O  garantismo à liberdade não pode servir de garantia a corrupção e à impunidade. 

Maria Inês Vasconcelos

 

Dezembro/2019

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QUANTO O GERENTE DE BANCOS TEM DIREITO A HORAS EXTRAS:

A questão do enquadramento legal do gerente de agência é bastante polêmica, e há grande divergência jurisprudencial, neste aspecto. Mas houve uma grande evolução e uma virada na percepção dos magistrados, que estão cada vez mais atentos ao modo de funcionamento das agências bancárias.

Certo é que muitos bancos, com intuito de sonegarem o pagamento de horas extras enquadram os gerentes em funções que são consideradas de altíssima confiança, para não lhes pagarem nenhuma hora extras, concedendo-lhes ainda designações bastante pomposas, para mascarar a realidade do contrato de trabalho. Atribuem-se assim, títulos que podem induzir à falsas premissas, como são os cargos denominados Gerente Geral de Agência, Gerente de Núcléo, Gerente Titular, Gerente de Plataforma e outros mais. Tudo elaborado e praticado, com objetivo único de  criar  , de forma dissimulada, a aparência de que tais gerentes realmente exercem funções de grande relevância na instituição financeira.

Contudo, o poder gerencial está completamente diluído e na no universo morfológico das agências bancárias da atualidade, um gerente de banco tem pouquíssima autonomia.  Ele mal pode elevar um limites de cheque especial .

A realidade é que sistemas informatizados e outros mecanismos de controlem inibem toda liberdade dos gerentes de conceder crédito e atuar com autonomia frente à clientela, tornando-se  assim, meros vendedores de produtos dos bancos.  Tudo é pré- aprovado nos terminais, ou nos sistemas e o gerente não tem autonomia nenhuma, neste campo.

O antigo gerente de banco que lidava diretamente e intuito personae com o cliente vem sendo substituído pelos aplicativos, e suas atribuições muitas vezes, limitam-se a disseminar no mercado o portifólio bancário, constituído de seguros, abertura de contas correntes , cheque especial , cartões de crédito e operações que nada tem de complexas, pois quando são  vultuosas e densas, as operações são elaboradas em setores fora das agências, e passam por um comitê rigoroso de aprovação de crédito e  por uma série de etapas com avaliação de garantias e cadastro. Assim, cada vez mais, a agência bancária se torna loja. Loja de produtos do banco. E o gerente é agora um batedor de metas. O banco se tornou um grande varejão.

Chama atenção a segmentação dentro das agências que se dividem em área operacional, comercial  e administrativa.  Sendo que o comercial , ainda é fragmentado em setor que atende pessoas físicas e pessoas jurídicas. Dessa forma, um gerente , ainda que classificado como gerente geral, não gerencia nunca  uma agência inteira, pois cada segmento tem seu próprio gerente e o suposto poder, que vimos ser inexistente, é completamente fragmentado e dividido.

Há várias decisões no sentido de que o  compartilhamento das responsabilidades do gerente na agência, sem a proeminência do gerente comercial ou geral  sobre os demais , afasta a

configuração do cargo de confiança de que trata o art. 62, II, da CLT.

De fato, quando a atividade do bancário, não corresponde ao gerente geral de agência, sendo os supostos  poderes apenas atrelados à manutenção da equipe organizada e estabelecimento da ordem de cumprimento da produção, não há como deixar de reconhecer seu enquadramento no art. 224, § 2º, da CLT . Nesse sentido a Súmula nº 287: – A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agência é regida pelo art. 224, § 2º, da CLT.  Foi o que decidiu, por exemplo o Ministro Aloysio Corrêa da Veiga, no Tribunal Superior do Trabalho no processo TST-RR: 3284320125100021.

Também neste mesmo sentido, é a decisão que concluir que a existência de dois gerentes em agência bancária não dá poderes de mando e gestão aos funcionários para afastar o direito às verbas. Com esse entendimento, a 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou um banco ao pagamento de horas extras a um empregado que dividia a gerência de uma agência bancária com um colega: ele exercia a função de gerente comercial, e o colega a de gerente administrativo. Trata-se do processo RR-435-81.2011.5.02.0074 

Dessa forma, o cargo de confiança previsto no artigo 62, inciso II, da CLT, para afastar a percepção de horas extras, se caracteriza não só da função de gerência com alto grau de diferenciação salarial, mas também do fato de o empregado ser um verdadeiro “alter ego” do empregador, incorporando quase a figura do dono do empreendimento. Se assim, não for, o bancário tem direito às horas extras e o enquadramento no artigo 224, & 2º da CLT.

 

Maria Inês Vasconcelos , 15 de dezembro de 2019

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Criminalização e homofobia no no Trabalho. 

15 de Junho de 2019 / Estadão

Um novo conceito de mulher
Artigo de Maria Inês Vasconcelos, advogada trabalhista, especialista em direito do trabalho, professora universitária, escritora.

Sem tropeçar na questão midiática – que é quase sempre a questão da discriminação salarial, o que queremos, em homenagem às mulheres é caminhar, para uma pauta muito mais prazerosa aonde possamos apenas ser e celebrar.

Temos sim, muito a festejar pois estamos conseguindo dar vazão às nossas potencialidades e ocupar nosso lugar. No ponto mais distante de nossas explorações já somos nós mesmas.

Claro, por muito tempo estivemos separadas por um muro que nos impedia de viver junto com os homens. Vivíamos, atrás. Mas houve uma progressão social, cultural, histórica e de grandes lutas individuais, que nos trouxeram para onde   estamos, hoje.

Neste lugar, podemos avistar sem desassossego, grandes possibilidades. Aqui, o medo, a inquietação ou a insegurança não nos engessa tanto mais. Nossa vontade de ser, descortinou novas oportunidades, além do planalto estéril que vivíamos.

Um novo conceito de mulher surgiu. Não é uma mulher menos doce, menos meiga, menos redonda em suas formas.

É uma mulher multifacetada. Executivas, empreendedoras, escritoras, advogadas, magistradas, cientistas e políticas. Há até mulheres exercendo atividades tradicionalmente ocupadas pelo sexo masculino, como pilotos de avião e até construção civil. Há postos de trabalho importantíssimos nas mãos das mulheres.

A insistência entre nós e eles, já nos cansou. Partilhamos das mesmas necessidades e experiências como seres humanos. Recebemos a mesma educação, falamos a mesma língua e além disso, somos mães e, cá para nós, povoamos esse país!

Mas é claro que chegar até aqui não foi brincadeira. Romper o muro alienante e excludente, que nos deixou na escuridão por séculos, foi duro. O discurso sexista era um grande empecilho. Sequer podíamos votar! Se lembram?

Mas nosso empenho fez surgir uma mulher mais versátil, mas que nunca perdeu a ternura e nem se deixa de arvorar do papel de ser mãe, eis que é o nosso melhor “estado”. Amamos esse “papel”, que tantas alegrias nos dá e que só nós, podemos experimentar, com tanto júbilo.

Certo é que não somos mais pacientes tão cativas da exclusão.  Aprendemos a resistir, a lutar, a enfrentar o preconceito e estamos extremamente conscientes de nossos direitos e de nosso papel na sociedade. 

Não perdemos nenhum traço de nossa personalidade e de nossa essência, ainda amamentamos, limpamos, cozinhamos e amamos. Apenas experimentamos romper o muro que nos impedia de sair de um local de grande vulnerabilidade. Neste lugar éramos impedidas de fazer nossas escolhas.

Hoje, somos muito mais livres, existimos e vamos deixar um grande legado cultural, filosófico e científico, e é claro, as nossas maiores pérolas, nossos filhos.  Valeu e sempre vale à pena.

Fonte: Rose Leoni

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Além desse relevante papel não se pode olvidar, o de consolidador das liberdades. Pois o que o que um advogado atua, sobretudo, na defesa da liberdade. E aqui não somos coadjuvantes, pois o acesso a Justiça se faz através do advogado.

Malgrado essas considerações, a carreira é árdua, eis que as dificuldades para exercer a profissão com independência e sem receio são crescentes e a quebra de prerrogativas uma constante. Aliás, há um conflito neste campo e quase nos confundem com a parte; com o cliente que defendemos. Mas há aqui um corte absoluto. Nós não somos titulares de direito algum, somos apenas operadores do direito.

A carreira é linda e frutuosa, mas a batalha é grande porque há uma crise cujo pano de fundo é uma gincana ideológica no sentido de que somos responsáveis pela atuação de nossos clientes , um  grande “nonsense”.  Acredito que a crise na Justiça é generalizada ,e não somos só nos os advogados que estamos sofrendo na pele a errática da visão que diminui nossa importância como pilar do Estado Democrático de Direito, a magistratura e o Ministério Público também agonizam e cada um se salva como pode.

É preciso pois  que nossa memória institucional e nosso papel social, sejam reconstruídos diariamente, sendo relevante a atuação da OAB, entidade  que nos representa e união da classe.

O processo de desjudicialização no Brasil,  a restrição de acesso à Justiça, a exigência de mediação  antes do processo, ou no caso da justiça do trabalho, a tentativa de acordo obrigatória nas comissões de conciliação,  bem como a dificuldade de se subir um recurso para Tribunais Superiores são alguns de nossos grandes desafios. O resultado disso pode ser uma Justiça mais rápida, mas, nem sempre justa.

Precisamos de força e coragem e não podemos esquecer de Rui Barbosa , considerado o patrono da advocacia brasileira “porque nunca ninguém o excedeu como combatente da legalidade e defensor das liberdades”. “Foi o maior de todos a exercer a advocacia junto à Suprema Corte brasileira.”, como registrou o Presidente da OAB da Bahia.

Sim, há incontáveis feitos da carreira inimitável de Rui Barbosa no direito brasileiro e na política, que nos inspiram, sobretudo a sua participação na Segunda Conferência da Paz, na cidade de Haia, Holanda, quando recebeu a alcunha de águia .

Precisamos, todos nos tornar águias porque somos representante da justiça, da cidadania e sobretudo da liberdade e  nosso trabalho é indispensável para o exercício de uma democracia efetiva.Voillá, vamos voar, que é o que nos resta.

 

Maria Inês Vasconcelos

Dezembro de 2019